A Cirurgia Plástica e os tratamentos estéticos aumentaram expressivamente em popularidade na última década. Talvez em decorrência desse aumento em popularidade, tanto os cirurgiões plásticos como profissionais da saúde mental (psicólogos e psiquiatras) têm dado maior atenção aos aspectos psicológicos dos pacientes que buscam este tipo de tratamento. Muitos estudos realizados na última década sugerem que cerca de 20% dos pacientes que buscam tratamentos estéticos apresentam um diagnóstico psicológico/psiquiátrico formal. Felizmente, estes mesmos estudos evidenciam melhora em sintomas de depressão e ansiedade, bem como na qualidade de vida e na auto-estima, após cirurgias estéticas. A insatisfação com a auto-imagem corporal tem papel importante em várias desordens psiquiátricas como distúrbios da alimentação (bulimia e anorexia) e depressão. Mas a doença psiquiátrica com maior relevância para a cirurgia plástica é o Dismorfismo Corporal ou BDD (Body Dismorphic Disorder).

O Dismorfismo corporal acomete cerca de 2% da população geral e 7% da população de pacientes que buscam cirurgia plástica. Caracteriza-se por preocupação expressiva com a aparência, comportamentos compulsivos, pensamento repetitivo em relação a um mínimo aspecto do corpo, grande preocupação com um “defeito” dificilmente identificável pela observação de terceiros e busca de tratamentos não psiquiátricos como cirurgias plásticas. Frequentemente pacientes com Dismorfismo corporal tentam fazer seu tratamento estético por si próprios, sem a ajuda de um profissional, o que pode provocar sérios danos. As áreas do corpo mais comumente envolvidas à preocupação excessiva com a aparência são a pele, a face e o nariz, entretanto, qualquer área do corpo pode ser motivo de grande apreensão. Portanto, o BDD pode acometer pacientes de Rinoplastia (cirurgia do nariz), Ritidoplastia (lift facial ou rejuvenescimento facial), Lipoaspiração (lipo, lipoescultura), Abdominoplastia (cirurgia do abdômen), Mamoplastia (cirurgia da mama e silicone) ou qualquer paciente que busca obsessivamente a correção de um defeito sutil.

Estudos mostram que frequentemente pacientes portadores de Dismorfismo Corporal têm sua solicitação de tratamento negada pelos primeiros cirurgiões que procuram. Entretanto, é também frequente a procura de novos profissionais até que sua solicitação seja atendida. Cerca de 81% dos pacientes portadores de BDD ficam insatisfeitos com seu tratamento e uma parcela significativa muda o foco de sua insatisfação para outra área do corpo, sem redução dos sintomas relacionados ao BDD. Não raro esses pacientes apresentam comportamento agressivo contra o profissional que o atendeu.

Usualmente o diagnóstico de Dismorfismo Corporal é uma contraindicação para a realização de cirurgias plásticas. Pacientes com excessiva angústia com um sutil aspecto de sua aparência, que resulta em uma significativa perda na qualidade de vida e prejuízo nas atividades diárias, podem ser portadores de BDD e devem obter orientação de profissionais da saúde mental (psicólogos e psiquiatras).

Referências:
1 – The art of aesthetic surgery : principles and techniques / Foad Nahai.
2 – Sarwer DB, Crerand CE. Body image and cosmetic medical treatments. Body Image Int J Res 1:99-111, 2004. Detailed review of the relationship between body image and cosmetic medical treatments.