De acordo com a Organização Mundial de Saúde (OMS), a adolescência é o período que se estende dos 10 aos 19 anos. Trata-se de uma fase de transição entre o mundo infantil e a vida adulta, normalmente marcada por profundas transformações físicas, mentais, sexuais e também sociais.

Como consequência de todas essas mudanças, é comum que meninos e, principalmente, meninas se sintam inseguros e preocupados não apenas com o que são, mas como são vistos e percebidos pelos outros. E é essa insatisfação com a autoimagem que tem gerado um cenário bastante preocupante para pais e médicos.

Segundo pesquisa realizada pela Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica (SBCP), nos últimos quatro anos, houve um crescimento de 141% no total de intervenções realizadas na faixa etária dos 14 aos 18 anos. O total de casos saltou de 37,7 mil, em 2008, para 91,1 mil, em 2012. Apesar de o aumento ter sido igualmente percebido nos números que projetam a sociedade como um todo (39%), o adolescente foi o que mais ganhou espaço nas mesas de cirurgia plástica e corretiva: passou a representar 10% dos pacientes (antes, diziam respeito a apenas 6%). As intervenções mais comuns são a lipoaspiração, próteses de silicone e redução de mamas.

Atualmente, cerca de 40% dos procedimentos realizados entre esses adolescentes são classificados como plásticas reparadoras. Ou seja, cirurgias que visam corrigir algum problema que impacta diretamente a saúde. É o caso, por exemplo, de mamas grandes demais, que podem afetar a postura e prejudicar a coluna. Contudo, a maioria dos procedimentos (60%) ainda é impulsionada por razões puramente estéticas.

Vamos imaginar que a sua filha de 16 anos quer aumentar as mamas, com implantes de silicone. O que fazer? O que ponderar na hora de tomar essa decisão? Nesse caso, é fundamental que os pais reflitam sobre as duas questões.

A primeira refere-se ao desenvolvimento do adolescente. Caso o corpo da adolescente já esteja biologicamente adulto (normalmente alcançado dois anos após a primeira menstruação), a cirurgia pode sim ser uma opção viável. Do contrário, o indicado é esperar e reavaliar. Já a segunda questão fundamental está relacionada à expectativa desse adolescente com o procedimento. Um menino que deseje operar as orelhas para evitar bullying na escola, por exemplo, tem uma relação de causa e consequência bem definida. E isso pode ser corrigido com uma plástica.

Mas, infelizmente, nem sempre as motivações do adolescente são simples como essa. O desejo de aumentar o tamanho das mamas e modelar o contorno do corpo pode, muitas vezes, estar atrelado à expectativa irreal de se obter outras realizações, como, por exemplo, a de se tornar uma aluna mais popular da escola.

Portanto, não existe certo ou errado quando o assunto é vaidade na adolescência. Cada caso é um caso e deve ser avaliado individualmente. Por isso, é importante estabelecer um diálogo franco e transparente com o seu filho. O objetivo aqui é compreender as reais motivações existentes por trás desse desejo de realizar uma cirurgia plástica. Em seguida, é fundamental consultar um médico especialista, que poderá tirar as suas dúvidas, assim como indicar a necessidade ou não de envolver também um psicólogo nesta decisão.